Alquimia: terceiro procedimento - Coagulatio

Quando a alma encarna na terceira dimensão, ou seja, em um corpo, é preciso que o ego tenha condições para se desenvolver de forma natural e saudável.




Um ego fraco é aquele que não está completamente aterrado, encarnado, presente em seu corpo, em seu momento, em sua espiritualidade e em sua existência, portanto, sem a posse de todas as ferramentas com o qual foi habilitado antes do nascimento para enfrentar os desafios a que sua centelha se dispôs. Ego forte não é aquele que se sobrepõe a centelha, está tão bem desenvolvido que consegue dar espaço para que a centelha atue e através da liberdade para a inspiração, consegue usar toda sua potencialidade.


O ego fraco está fragmentado, está encarnado mas não gostaria de estar aqui, é como se estivesse no mundo à força, querendo fugir, querendo estar em outro lugar, pois tem muitas dificuldades para enfrentar os problemas que aparecem, o que pode causar atitudes imaturas ou involutivas que prejudicam sua evolução.

No processo de crescimento do ser, quando aparecem questões a serem resolvidas é preciso analisar vários pontos para se tomar uma decisão e as variáveis são inúmeras. Há situações de fácil resolução e outras de solução mais difíceis. O ego fraco, embora esteja em evolução biológica (física) tem dificuldades para evoluir na tomada de decisões, pois quando lhe falta Coagulatio as escolhas são pautadas no ego, evitando que a centelha  atue. Como todos os processos alquímicos estão ligados, um ego fraco que não está presente, completamente encarnado, tenderá a evoluir pela Calcinatio (problemas).

Um ego forte, bem aterrado, bem presente em sua totalidade corpo/mente/espírito tenderá a evoluir pela Solutio (amor incondicional). Coagulatio é representada pelo elemento terra e refere-se ao aterramento, à capacidade de manter a integridade diante da resolução dos problemas.

O ego fraco tem medo de usar, além do seu intelecto, a intuição, por medo de perder a individualidade, o controle sobre tudo, sem compreender que as leis universais são maiores que qualquer controle que possamos acreditar exercer. O ego forte já está individuado - continua com suas características individuais, porém fundido com a centelha - e portanto não tem necessidade de manter o controle, confiando em todos os seus recursos.

Quando nascemos previamente trazemos as informações e o contexto mais propícios para o nosso crescimento. Vale ressalvar que nem sempre aquele que tem mais recursos é privilegiado pois os que vêm com menos recursos tem mais chances de crescimento. O fato é que ambos precisam crescer: os que tem menos recursos naturalmente terão muitos desafios para o crescimento e os que já tem mais recursos precisam se colocar constantemente novos desafios e metas, pois o universo não tolera a zona de conforto e sempre impulsiona ao crescimento. Tentar fugir disso gera Calcinatio.

Quando tudo está bem temos a tendência a nos acomodar, porém como o universo funciona fora da zona de conforto, se a pessoa não se colocar novos desafios, inevitavelmente terá Calcinatio. Nossa expansão precisa ser constante e quando se está completamente aterrado, ou seja, encarnado essa busca pela expansão é uma busca natural. Enfrenta-se os problemas de frente, sem Ilusões e sem visão romântica da vida, sem fazer de conta que tudo está bem "jogando a sujeira para debaixo do tapete".

Porém não podemos confundir as coisas... precisamos lembrar que essa postura realista não pode gerar sentimentos negativos como a amargura, frieza, distanciamento. Lembre-mo-nos que o outro caminho da expansão é a Solutio - amar o que fazemos, amar a nossa vida, amar a nós mesmos e ajudar aos outros fazem parte desse caminho de evolução. Sentimentos negativos causam? Sim, Calcinatio!


Um dos primeiros pontos a considerar, então, é aterrar completamente, encarnar, estar no aqui e agora, resolvendo todas as dificuldades com atenção e discernimento. Com frequência pessoas terão dificuldades em perceber que não estão aterradas por ser uma armadilha do próprio ego evitando a evolução, pois este perderá o controle sobre as atitudes da pessoa, e fica até difícil falar a elas sobre o princípio da Coagulatio. O ego é muito sábio no desenvolvimento de mecanismos para proteger sua visão do mundo e não raras vezes a pessoa pode se voltar contra o indivíduo que tentar lhe mostrar os benefícios do aterramento. O problema é tão sério que temos vistos vários exemplos de dificuldades coletivas  geradas por populações que evitam aterrar, com o foco distorcido em pontos que não levam a nenhum tipo de crescimento pessoal.

De posse de si a tendência é que se tenha maior capacidade de análise e resolução das dificuldades de forma criativa e assertiva, sempre lembrando de em paralelo, continuar o processo de expansão através de trabalho, estudo e amor incondicional.

Vale lembrar que todos os procedimentos alquímicos estão interligados e acontecendo simultaneamente, independente de nossas escolhas. São princípios universais e não há como escolher segui-los ou não. A posse do conhecimento dos habilita a escolher quais prevalecerão em nossas vidas a partir de escolhas e atitudes.

Um exemplo prático: uma pessoa tem conhecimento para fazer uma bomba atômica. Se estiver aterrada (Coagulatio) não fará a bomba por mais que sofra pressão, pois sabe que essa não é uma escolha correta, da centelha (Solutio); alguém que não está aterrado (Coagulatio) seguirá o ego e fará a bomba, o que irá gerar de qualquer forma, problemas (Calcinatio).


Em breve publicaremos o próximo procedimento.


Textos complementares sugeridos:
* Aterramento: a base para a mudança efetiva
* Quero sumir: e agora?



Obs: vale lembrar que estes escritos são as conclusões da autora do texto, estudos de aprofundamento são incentivados para que cada um chegue às próprias conclusões. Uma boa indicação são as obras de Jung que falam sobre o tema com linguagem mais acessível que os escritos originais.

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