Espelhos da realidade. 5. Nosso maior ato de compaixão



Este é o último espelho abordado por Gregg e traz  a compaixão como sentimento fundamental na vida de cada um. A questão é: qual é nosso maior ato de compaixão?



A parte esmagadora das pessoas costuma viver em estado de imperfeição, não porque são imperfeitas, mas porque consideram que o são. Essa sensação nasce da comparação.  As pessoas costumam comparar suas características, o que sentem e pensam com outras pessoas e por motivos como cobranças sociais e baixa autoestima, colocam-se sempre como devessem atender a esses modelos.

A questão é que a perfeição:

1. Já mora em cada um, uma vez que somos parte da centelha divina, bastando permitir que a essência venha à tona, se sobrepondo às camadas do ego, frequentemente impostas pelos modelos sociais desde a infância;

2. Não há perfeição, de fato. Até que haja comparação, cada ato por si só é único, se não estiver correto, é uma ótima oportunidade de aprendizado e crescimento, então há a perfeição do conhecimento e no fato de que na próxima vez, a pessoa poderá fazer melhor.

A autocobrança culturalmente deixa de ser uma busca alegre e saudável por um processo contínuo de aprendizado e melhoria interior, para se tornar uma meta que jamais será atingida. Com isso, as pessoas tem se mostrado sobrecarregadas, cansadas e insatisfeitas não só com seus resultados, como também desconfortáveis com quem são, numa busca frenética por realizar mudanças e violações em relação à sua essência para chegar a um ponto que não corresponde à sua realidade e que no fundo, nunca chegará, pois o que é bom para o outro não significa ser bom para si, especialmente se não trouxer alegria e realização.

Portanto, este último espelho revela que o nosso maior ato de compaixão deve ser em relação à nós mesmos: sabermos encontrar e amar quem somos, o que sentimos, pensamos, queremos, independente das comparações e das expectativas alheias. A necessidade do resgate do amor próprio é a grande chave desse espelho.

Finalizando este espelho e esta série de postagens sobre os principais Espelhos da Realidade, nas palavras de Gregg, "o que conta é a maneira de nos sentirmos - nosso desempenho, presença e realizações -, que se reflete em nós como realidade do nosso mundo. Com isso em mente, a cura mais profunda de nossa vida poderá também ser o nosso maior ato de empatia. É a bondade que dirigimos a nós mesmos".

Afinal, não é possível desenvolver compaixão pelo próximo quem rejeita a si mesmo. O primeiro cuidado precisa ser em relação à si, e toda a realidade se adequará a isso.