Espelho da realidade: 3. O que se perdeu, ou foi tirado de si


"Quando perdemos pessoas, lugares e coisas que nos são caras, são nosso amor e natureza compassiva que nos permitem sobreviver e enfrentar essas provações.

Como compartilhamos amor, compaixão e dedicação de boa vontade, essas são nossas partes mais vulneráveis ao risco de serem perdidas, inocentemente desperdiçadas ou tiradas de nós pelos que exercem poder sobre nós. Cada vez que confiamos suficientemente para amar ou alimentar outra pessoa e temos nossa fé violada, perdemos um pouco de nós mesmos na experiência. Nossa relutância em nos expôr novamente a tais vulnerabilidades é nossa proteção - a maneira de sobrevivermos quando nos traem e nos ferem da maneira mais profunda possível. E cada vez que vedamos o acesso a nossa verdadeira inclinação para ter compaixão e nutrir nosso semelhante, somos como o alimento que aos poucos se esvai de um jarro que está sendo carregado".

Este trecho transcrito de Gregg Braden ilustra bem a origem desde espelho da realidade. Com medo do sofrimento, especialmente após sentir ter seus melhores sentimentos como se houvessem sido  desperdiçados, a pessoa tende a se fechar e deixar de compartilhar sua melhor parte. Porém, este mecanismo de autodefesa cria um espaço vazio cada vez maior, como um jarro partido cheio de farinha que se esvai pelo caminho à medida em que é carregado. Ao final do caminho, resta o vaso, mas o conteúdo está oco. Por outro lado, todo o vazio sempre clama a ser preenchido.

A boa notícia é a de que os melhores sentimentos, na verdade, nunca se vão: na essência pura de cada um, todos os sentimentos estão preservados, somente ocultos pelas camadas de proteção.

Para compreender o uso desse espelho, é preciso estar atento para perceber, nas pessoas que cercam ou surgem na própria realidade, quais são aquelas pessoas que parecem despertar imediatamente a sensação de que se está em casa, sentimento de proximidade e empatia, sendo conhecidas ou desconhecidas - neste caso, aquelas que numa primeira conversa, dão a impressão de que já se conhece há muito tempo. Percebendo um momento como esse - o espelho, é a oportunidade de olhar para dentro de si e perguntar: "O que vejo nessa pessoa que perdi em mim mesmo, que desisti, ou que tiraram de mim"?

As respostas dão pistas daquilo que se deseja para a própria vida, do qual sente falta, e embora pareça não fazer parte da própria realidade, na verdade é uma parte essencial que está oculta pelo "eu" que se imagina ser. Portanto, este espelho é muito eficiente para resgatar os sentimentos do "eu" que parece perdido, que traz alegria e satisfação, mas o qual não se sabe como recuperar o elo.

Finalizando, nas palavras de Gregg: " Ao reconhecermos como nos escondemos por trás da máscara, começamos a trilhar um caminho para a cura. A maior prova de termos reassumido o comando acontece quando conseguimos reunir partes de nós mesmos que tinham sido dispersadas".