Como passar do conflito ao equilíbrio



Para iniciar o ano publicaremos nos próximos dias algumas ferramentas práticas  para ajudar  na reorganização da estrutura mental e dos sentimentos.

Todos almejamos um estado de equilíbrio, de paz. Podemos imaginar o equilíbrio como uma ponte:  de um lado estão os fatos, ou seja, a realidade;  do outro lado estão os símbolos, que são as representações mentais e emocionais dos nossos desejos e/ou daquilo sobre o que deveria/deve ser a nossa realidade ideal.

Quando os fatos e os símbolos estão em perfeita harmonia, a ponte está estável. Vivenciamos então um estado na maior parte do tempo de paz, satisfação e alegria. Quando algo desestrutura a ponte, tirando sua estabilidade, sua harmonia entre um e outro, começa o conflito. Geralmente essa desestruturação acontece a partir dos fatos, quando estes deixam de corresponder aos nossos símbolos, e começamos a criar resistência desejando que a realidade corresponda ao que nós gostaríamos.

Portanto o conflito nada mais é do que à resistência a realidade. Para resolver o conflito não adianta despender energia e tempo questionando ou negando a realidade, o que não irá mudá-la. Também não adianta ignorar nossos símbolos, essa atitude seria como saber que a ponte está ao tempo com cupins  e deixá-la sem tratamento, até que se rompa - nesse ponto ocorre a sensação do não querer viver. Precisamos atuar nos símbolos, de forma que seja possível reestruturar a realidade. Temos aqui  duas vertentes:

1 - Mudar a realidade está completamente fora do nosso alcance

Acontece quando não temos escolha, precisamos nos submeter a uma realidade mesmo que esta não atenda nossas necessidades e expectativas. Nesse caso precisamos imaginar como fazer para nos adaptar à situação ao menos temporariamente até encontramos em nossos símbolos uma solução.
Um bom exemplo nesse tópico é quando uma lei é sancionada. Estamos submetidos à lei e precisamos cumpri-la. Não adianta prender-se à reclamações, realizando manifestações em redes sociais, perdendo o sono por indignação. Talvez até haja solução, mas não será imediata. Num primeiro momento precisamos a partir dos símbolos analisar o que precisamos mudar para nos adequar à lei e posteriormente, se  houver possibilidade, tomarmos uma atitude como por exemplo, eleger outro governo. Outro bom exemplo é quando morre alguém querido, é preciso readaptar os símbolos, não há como modificar a realidade.

2 -  Há a possibilidade de mudar a realidade

Nesse caso a realidade  por algum motivo deixou de ser satisfatória mas temos a possibilidade de modificá-la. Também nesse caso vamos aos símbolos para fazer uma análise de onde os símbolos não estão funcionando, realizar uma readequação de metas  e objetivos para modificar a realidade e em seguida, colocar os planos em ações até que seja possível readequar a realidade e recuperar o equilíbrio.

Portanto fica claro que tudo parte do interior da pessoa. Ao invés de se debater com a realidade ou focar em manter a ponte estável, a chave para a resolução de um conflito está em modificar os símbolos mentais e emocionais de forma a adequar à realidade, ou desenvolver uma sequência de  atitudes em relação à ela até que se encontre novamente o ponto de equilíbrio.