Alquimia: quarto procedimento - Sublimatio

Sublimatio é um procedimento representado pelo elemento ar e refere-se à elevação espiritual.

A ausência do elemento ar remete ao domínio do ego, ou seja, quando após mostrar as variáveis negativas de uma situação a pessoa recusa-se a enxergar em prol do que quer. Por exemplo, uma pessoa conhece os efeitos negativos do cigarro mas continua fumando mesmo assim porque quer.




Para aquele que está distante desse procedimento o importante é que se concorde com ela/e mesmo se estiver errada/o. Podemos aqui ampliar o entendimento aliando aos outros princípios alquímicos: quando se explica as variáveis negativas há a tentativa de ensinar pelo amor - solutio; quando a pessoa se recusa a compreender permanecendo com a postura de que o mais importante é que se concorde com ela mesmo que esteja errada - falta de aterramento/coagulatio, não quer enxergar o problema - aprende-se pela dor - calcinatio.


Sob esse ponto de vista distorcido a pessoa que discorda é o problema, e não o problema em si. O Processo de Alquimia quando fala da moagem da pedra, refere-se na verdade à moagem do ego. Conforme for passando pelos procedimentos o ego tende a tornar-se mais fino, dissolvido, até chegar à individuação - estado definido por Jung como sendo de total integração consigo e com sua centelha.

Sublimatio não significa se reprimir ou substituir um sentimento por outro, e sim se elevar, conseguir enxergar além, estar "acima" dos problemas, se dissociando. Para haver elevação é preciso seguir o princípio da coagulatio, ou seja, aterrar, estar totalmente no mundo material sem querer fugir da realidade. Quando aterramos os problemas se mostram, e quando nos dispomos a resolver os problemas ao invés de ignorá-los, estamos nos ajudando. Este é um dos princípios da sublimatio: só podemos ajudar aos outros efetivamente quando primeiro ajudamos a nós mesmos.

Se cada ser fizesse sua parte resolvendo os  os próprios problemas e os problemas para as quais vieram habilitados a resolver o contexto atual seria diferente. A sublimatio parte do princípio de que através da calcinatio o ser percebe que sua estratégia pautada no ego não está dando certo e começa a agir com trabalho, estudo e ajuda, assim progressivamente até alcançar a elevação espiritual.

Todos precisam ser ajudados e todos precisamos de ajuda. Se cada um fizer a sua parte a calcinatio  diminui, permitindo que o amor do Todo manifeste através das pessoas. Quando tentamos resolver tudo sozinhos acabamos gerando o medo de que os outros tomem tudo aquilo que conquistamos, pois perde-se o sentido da partilha do amor.

Na metáfora muito utilizada na alquimia, a do quadro que mostra o lobo devorando o rei, o lobo é o inconsciente coletivo que domina o indivíduo induzindo-o a distorcer seus parâmetros e crenças, porém cada um tem suas necessidades particulares - nem todos precisam de tudo, há quem precise de mais ou de menos para estar bem, e essas necessidades não são respeitadas.

A falta de Sublimatio faz com que as pessoas tenham dificuldade para se dissociar dos problemas, olhando-os de fora, por outra perspectiva, e também de enxergar o óbvio, vendo tudo o que é material como perigo. Por outro lado, excesso de Sublimatio revela pessoas excessivamente sonhadoras, que gostam de colocar sua opinião e se afligem em excesso criando problemas por antecipação e imaginando empecilhos onde não existem. A ciência sem espiritualidade promove pouca expansão, e vice-versa.

Finalmente, a Sublimatio mostra que nada material é capaz de suprir a necessidade da psique. O material é importante por fornecer acesso à informação, experiências, conhecimento e com isso expandimos, o que é saudável e desejável, porém são recursos externos. A única coisa capaz de suprir as necessidades da psique é o amor, o qual é jorrado pelo Todo sem parar, percebido quando o ser consegue se entregar à individuação.



Obs: vale lembrar que estes escritos são as conclusões da autora do texto, estudos de aprofundamento são incentivados para que cada um chegue às próprias conclusões. Uma boa indicação são as obras de Jung que falam sobre o tema com linguagem mais acessível que os escritos originais.